Ouvi uma conversa sobre a atual
situação da segurança pelas ruas das cidades, bairros e vielas. Diziam ser a
favor do velho código de Hamurabi, o olho por olho, dente por dente. E até da
pena de morte, que provocaria um receio nos meliantes. Fiquei pensando.
Pensando. Pensando. Quase falei o que me veio à mente (mas seria levantar uma
polêmica que não estava disposta a discutir até o fim, chame de preguiça se
quiser). Todos somos frutos da sociedade em que vivemos, há um estimulo para o
consumo desenfreado em uma sociedade onde muitos tem pouco e poucos tem muito.
O que se espera que aconteça? Isso aí que estamos vendo, vivendo. Desde pequeno
o bandido vê que ele é aquilo que tem, e se não tem ele não é. São caras
pobres, sem base familiar, sem educação (e educação não é só saber ler,
escrever, contar, estar numa escola ou faculdade). Tá, aí você diz que o
problema são as drogas. Sim, pode até ser, mas a questão (ao meu ver) é: Por que
as pessoas se drogam? Quem pode ser feliz trancado 8h por dia fazendo o que não
gosta, ganhando pouco, sob pressão o tempo inteiro? É natural que as pessoas
queiram se dopar (acorda, droga não é só maconha, cocaína, crack, cerveja,
cigarro, é religião, televisão, literatura, internet, remedinhos receitados
pelo seu médico – leia-se antidepressivos vendidos como água, como se fossem a
coisa mais natural do mundo, tudo aquilo que te tira da sua realidade). O mundo
em que vivemos está fadado ao fracasso. A humanidade fracassou, nós somos a
prova disso. Você pode até me achar melancólica, depressiva e pessimista. Mas
analise friamente os fatos. Você encontrará exceções (lógico, e eu pretendo ser
uma delas), mas a exceção não faz o mundo como o conhecemos. Foi-se o tempo em
que eu acreditei que o trabalho de formiguinha mudaria o mundo. O negócio é
tentar mudar pelo menos o meu mundo, o quintal da minha casa.
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