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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

o mundo é o quintal da minha casa


Ouvi uma conversa sobre a atual situação da segurança pelas ruas das cidades, bairros e vielas. Diziam ser a favor do velho código de Hamurabi, o olho por olho, dente por dente. E até da pena de morte, que provocaria um receio nos meliantes. Fiquei pensando. Pensando. Pensando. Quase falei o que me veio à mente (mas seria levantar uma polêmica que não estava disposta a discutir até o fim, chame de preguiça se quiser). Todos somos frutos da sociedade em que vivemos, há um estimulo para o consumo desenfreado em uma sociedade onde muitos tem pouco e poucos tem muito. O que se espera que aconteça? Isso aí que estamos vendo, vivendo. Desde pequeno o bandido vê que ele é aquilo que tem, e se não tem ele não é. São caras pobres, sem base familiar, sem educação (e educação não é só saber ler, escrever, contar, estar numa escola ou faculdade). Tá, aí você diz que o problema são as drogas. Sim, pode até ser, mas a questão (ao meu ver) é: Por que as pessoas se drogam? Quem pode ser feliz trancado 8h por dia fazendo o que não gosta, ganhando pouco, sob pressão o tempo inteiro? É natural que as pessoas queiram se dopar (acorda, droga não é só maconha, cocaína, crack, cerveja, cigarro, é religião, televisão, literatura, internet, remedinhos receitados pelo seu médico – leia-se antidepressivos vendidos como água, como se fossem a coisa mais natural do mundo, tudo aquilo que te tira da sua realidade). O mundo em que vivemos está fadado ao fracasso. A humanidade fracassou, nós somos a prova disso. Você pode até me achar melancólica, depressiva e pessimista. Mas analise friamente os fatos. Você encontrará exceções (lógico, e eu pretendo ser uma delas), mas a exceção não faz o mundo como o conhecemos. Foi-se o tempo em que eu acreditei que o trabalho de formiguinha mudaria o mundo. O negócio é tentar mudar pelo menos o meu mundo, o quintal da minha casa.

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