- Pai, o que é isso? Um teclado? – perguntou Jorginho, curioso.
- Mas cadê o monitor? – emendou Beatriz.
- Também não tem fio para ligar na tomada... – observou Jorginho.
- Nada disso! – disse o pai – Essa é uma máquina de escrever.
E colocando uma folha branca no rolo, girando-o, o pai passou a teclar em cada uma das letras, escrevendo:
Feliz Natal!
- Uau! Que legal! – foi a expressão de Jorginho – A letra já sai direto no papel!!!
Beatriz não entendia como aquilo era possível. Quando utilizavam o computador, tinham que imprimir a folha através de uma impressora, mas com a máquina de escrever isso não era necessário, pois qualquer coisa que escreviam já aparecia diretamente no papel.
- Que massa! – gritou Beatriz.
- Escreve mais, papai... – pediu Jorginho.
E o pai escreveu:
Beatriz é irmão de Jorge
- Ih, pai! Você escreveu errado... – observou Beatriz.
- É mesmo! – emendou Jorginho – E agora, como você vai apagar a letra?
- Isso é fácil – respondeu o pai – e sacando do bolso um corretivo branco, tirou a tinta com um pincel e passou sobre a letra ‘o’, apagando-a.
Beatriz é irmã de Jorge
- Mas o espaço entre as palavras ficou maior nesse pedaço – disse Beatriz, apontando para o espaço entre ‘irmã’ e ‘de’.
- Isso não tem como corrigir – disse o pai, que sem perceber, acabou borrando o local onde inseriu a tinta branca, deixando o papel com aparência suja.
- Enquanto vocês brincam, eu e sua mãe vamos cumprimentar os vizinhos...
E dizendo isso, o pai foi à casa ao lado e demorou uns quarenta minutos. Quando retornou, as
crianças estavam na internet, no Orkut, e a máquina de escrever, intacta, abandonada, clamava por atenção na mesinha central da sala.Joel dos Santos Leitão – Dezembro de 2008


