Estou com preguiça da vida. Da
vida não. Porque a vida não é esse acordar, trabalhar, dormir. Não. Mesmo sem
algum propósito universal, metafísico, não é possível que tudo se resuma a isso.
Não posso dizer que fui criada para coisas maiores, porque não acredito nisso,
mesmo que tenha uma força poética que me impulsione a querer acreditar. Não sou mais do que um organismo vivo. Quase
um terço já se foi, na melhor das hipóteses, já que dentro de mim não carrego a
sensação de eternidade.
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