Eu tenho uma lista de livros que
gostaria muito de ler antes de morrer. Sim, eu tenho uma lista de coisas que
quero fazer antes de morrer. É uma lista mental, mas ela existe. A
Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, é um desses livros. Finalmente
consegui terminar de lê-lo no início desse ano. O que mais gostei não foi a
estória em si, que por si só não me faria colocá-lo na minha lista de
favoritos, mas as reflexões filosóficas que estão nas entrelinhas. Reflexões
que fiz questão de marcar para ler de novo e de novo e de novo.
"Nunca se poderá determinar com
certeza em que medida nosso relacionamento com o outro é o resultado de nossos
sentimentos, de nosso amor, de nosso não-amor, de nossa complacência, ou de
nosso ódio, e em que medida ele é determinado de saída pelas relações de força
entre os indivíduos. A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com
toda a pureza, com toda a liberdade, em relação àqueles que não representam
nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, num
nível tão profundo que escapa a nosso olhar) são as relações com aqueles que estão
à nossa mercê: os animais. É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota
fundamental da qual decorrem todas as outras."


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